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A MENTE ZEN
Takuan Soho
ESCRITOS DE UM MESTRE ZEN A UM MESTRE DE ESPADA
O Zen consiste em esvaziar o intelecto de toda a maya (Ilusão) nele acumulada para dar lugar ao Real, ao Imperecível O Zen não pode ser transmitido por palavras. Daí todas
as respostas dadas pelos Mestres serem desconcertantes. A
Verdade surge numa mente apaziguada, vazia, liberta de
preconceitos, sem o filtro dualista do intelecto.
«Ora, o homem perfeito usa a espada, mas não mata ninguém.
Ele usa a espada e vivifica os outros seres. Quando é necessário matar, mata. Quando é necessário dar a vida, dá. Ao matar,
mata em concentração completa; ao dar a vida, dá em concentração completa.»
Estes escritos de um Mestre Zen a um Mestre de Espada reportam-nos para a íntima relação que os japoneses estabeleceram entre a espada e o espírito, sendo que a espada
se destaca como um instrumento de vida e de morte, de pureza
e de honra.
É à casta dos samurais, empunhando numa mão a espada e na outra a verdade espiritual, que o Japão deve a maior parte dos seus valores intemporais.
Prefácio de Eduardo Amarante
Takuan Soho (1573-1645) foi um grande mestre da escola Rinzai de Budismo Zen, famoso pela sua força de carácter e agudeza de espírito. Foi também jardineiro, poeta, mestre do chá, escritor prolífico e figura de destaque na história da pintura e da caligrafia Zen.
A sua formação místico-religiosa iniciou-se aos dez anos de idade. Aos 14 ingressou na escola Rinzai e aos 35 foi nomeado abade do
Daitokuji, grande templo Zen de Kyoto.
Em 1629, depois de uma disputa com o segundo xogum Tokugawa, acerca das nomeações religiosas, foi banido para uma província
longínqua no norte do Japão. Três anos depois, tendo beneficiado da amnistia geral que se seguiu à morte do xogum, reconquistou a
sua liberdade e tornou-se conselheiro do terceiro xogum Tokugawa. |
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