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O SEGREDO DO GRÃO VASCO
Pedro Martins
DE COIMBRA A VISEU, O 515 DE DANTE
A DESCODIFICAÇÃO DOS MISTÉRIOS E SÍMBOLOS LEGADOS PELO MAIOR PINTOR QUINHENTISTA PORTUGUÊS
«… porque o ver muito ensina», lembrava Francisco de Holanda no século XVI.
Lição depois colhida por Almada Negreiros, que sublinhava a diferença entreolhar e ver: olhar, todos olhamos, distraidamente, mas ver realmente visto é coisa de poucos.
E Álvaro Ribeiro foi mais além, no seu prefácio de Os Painéis do Museu das Janelas Verdes, de José Luís Conceição Silva: «A obra de arte não é só para ver: é também para ler.»
Agora Pedro Martins viu as obras de Grão Vasco e nelas leu o seu segredo – fez uma laboriosa decifração de obras próprias de um tempo em que diversas linguagens, a escrita no papel impresso (como Menina e Moça) mas também
a inscrita nas pedras (o Mosteiro dos Jerónimos) ou a traçada nas tábuas pela arte dos que sabiam, como Grão Vasco, eram concebidas para mostrar escondendo, ocultando. O tempo do pensamento rigorosamente vigiado.
Seguindo os caminhos abertos por António Telmo na História Secreta de Portugal e por Lima de Freitas em 515 – O Lugar do Espelho e nos estudos
sobre Almada, numa linhagem nobre e contra a corrente (a que desconsidera sistematicamente a pintura portuguesa antiga), Pedro Martins parte
de uma intuição de Pascoaes e revela-nos um Grão Vasco enquanto Fiel-do-Amor e guardião da «secular persistência de um ideal templário, joaquimita,
franciscano e gibelino, sinal difuso, mas seguro, da existência de um projecto espiritual emanado da Igreja de João, a milícia templária da
Ordem de Cristo: o Império do Espírito Santo». Este é um livro para ser
lido com o olhar do coração.
António Carlos Carvalho
in Prefácio
Pedro Martins nasceu em Lisboa em 22 de Janeiro de 1971, dia de São Vicente.
Jurista e advogado, licenciou-se em 1993,
pela Faculdade de Direito de Lisboa. Pós-graduou-se em Sociologia do Sagrado e do
Pensamento Religioso, pela Faculdade de
Ciências Sociais e Humanas da Universidade
Nova de Lisboa.
Vive há muito em Sesimbra. Aqui ou em
Estremoz, conviveu uma década bem contada
com António Telmo, de cuja amizade
colheu largos benefícios.
No último lustro, vem desenvolvendo uma
hermenêutica do pensamento paraclético
na cultura portuguesa, que percorre a poesia
(O Anjo e a Sombra: Teixeira de Pascoaes e
a Filosofia Portuguesa, Pena Perfeita, 2007),
a história e a filosofia (O Céu e o Quadrante:
desocultação de Álvaro Ribeiro, Serra d’Ossa,
2008), e agora a pintura, mediante a decifração
esotérica das obras-primas do Grão
Vasco, numa demanda que culmina em Viseu,
o lugar da visão.
Colaborador regular dos Cadernos de Filosofia
Extravagante e da Nova Águia, é membro
da Direcção do MIL - Movimento Internacional
Lusófono e encontra-se envolvido na
Nova Águia concretização do Círculo António Telmo. |
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